Sobre pausas

Recentemente me vi às voltas combatendo o famigerado SARS-CoV-2, lutando para me livrar da COVID 19 (ainda bem que nem vi as outras 18), passando por internação e repouso para poder voltar às minhas atividades cotidianas.

Costumo dizer que enquanto estamos no olho do furacão não enxergamos nada que possa nos levar a outros pensamentos ou visões diferentes daquilo que está acontecendo. E assim foi comigo enquanto estava no hospital.

Ao sair do hospital, em casa, de repouso, aproveitei para fazer reflexões sobre aquilo que estava acontecendo. Aliás, deitado, enfraquecido, só me restava refletir, rezar e ler, uma vez que o ato de subir ou descer a escada de casa, por exemplo, me causava grande cansaço e desconforto.

Uma das reflexões que fiz foi o fato de que um ser microscópico, um vírus, é capaz de colocar de joelhos toda a humanidade. Aliás, fiquei pensando no quanto a arrogância humana vem sendo derrubada por este ser e como nós deveríamos repensar nossas atitudes para o mundo à nossa volta.

Outra reflexão é de que não existem fronteiras para o vírus. A humanidade toda corre o mesmo risco, independentemente de sua localização geográfica. Sendo assim, o ser humano deveria ser mais solidário para seu próximo, deixando de lado o EGOísmo e outras práticas que só dividem a humanidade.

Mas, entre uma reflexão e outra me chegou a questão que ali estava eu, deitado, “descansando” por ter recebido uma pausa em minha vida, minha correria profissional e minhas atividades cotidianas. Como costumo brincar, todo Superman tem seu dia de Kryptonita.

Não gostamos de pausas, de parar forçadamente diante de uma doença; porém, na correria diária, muitas vezes esquecemos de parar, respirar e afiar nosso machado como na história a seguir:

Certo lenhador experiente foi desafiado por um forte jovem para uma disputa onde veriam quem cortaria mais árvores (fiquem tranquilos que não era na Amazônia e sim em uma floresta fictícia).

Combinaram uma área igual para os dois e começaram a cortar as árvores.

O jovem, com toda sua força e energia derrubou várias árvores sem parar e se empolgava ainda mais ao olhar para o velho lenhador que parava em vários momentos para descansar.

No final do dia, qual não foi a surpresa do jovem ao ver que o idoso lenhador experiente tinha vencido a disputa, cortando muito mais árvores.

Inconformado, o jovem perguntou: “Mas como o senhor fez para cortar mais árvores que eu, mesmo parando tantas vezes para descansar?”.

E o lenhador experiente respondeu: “Eu parava para afiar o meu machado, jovem. Quantas vezes você parou para afiar o seu?”

Quantas vezes nos empolgamos naquilo que estamos fazendo e não paramos para descansar, aprender coisas novas ou refletir sobre nossas atitudes?

Pausas são necessárias para que possamos recuperar nossa energia, afiar nosso machado e nos prepararmos para os novos desafios ou ainda para dar continuidade àquilo que iniciamos, que estamos fazendo.

Quantas vezes nos permitimos parar e respirar para seguirmos em frente?

Durante a convalescência (que ainda segue para plena recuperação pulmonar!!!) buscava o ar e sentia a dificuldade de respirar, algo tão cotidiano e que acabamos não dando a devida importância: o entrar e sair do oxigênio que recebemos de graça (e que contribuímos para poluir). O ar que respiramos, que nos dá a vida é algo que precisamos valorizar, não quando ficamos doentes, mas no cotidiano de nossas vidas.

E acredito que, como necessitamos de pausas e, teimosamente, insistimos em não parar, Deus ou como vocês queiram chamar, nos faz parar, nos faz refletir para que, durante as pausas, afiemos nossos machados para dar continuidade às nossas missões e tudo aquilo que ainda temos que cumprir nesta existência.

A vida é a maior dádiva e precisamos aprender a fazer nossas pausas justamente para podemos aproveitá-la plenamente.

Deixo aqui a minha gratidão a todos que estiveram presentes em preces, vibrações, ajudas materiais para que eu, após afiar meu machado, estivesse de volta à todas as minhas atividades do dia a dia.

E você, tem afiado o seu machado?