E se for possível?

Muitas vezes matamos uma ideia antes mesmo dela surgir. Como falei anteriormente, é nestas horas que precisamos calar o nosso Grilo Falante. Uma ideia, em princípio pode parecer absurda, mas mesmo assim é importante deixar que ela flua para podermos analisá-la de outros ângulos ou pontos de vista.

Importante apontar que se nós mesmos não acreditarmos em nossas ideias, como queremos que outros acreditem! A ideia precisa ser verdadeira e fazer eco em nossas mentes para que possamos desenvolvê-la e passá-la adiante. Para vendermos nosso peixe, ele precisa estar bonito, atraente, de forma a fazer o comprador querer levá-lo. O mesmo acontece com ideias. Somente quando temos clareza dela, acreditamos em suas possibilidades e premissas é que podemos fazer com que outras pessoas a comprem e possam nos ajudar a levá-la adiante.

Muitas vezes temos boas ideias e não as levamos para frente por medo de, de repente, expormos algo ridículo, sem propósito, que poderá assustar parceiros de negócios, de trabalho ou ainda, alguns investidores ou empreendedores quando queremos criar uma startup ou um novo modelo de negócios.

Um personagem muito interessante, originário dos contos orientais da Turquia, da tradição sufi, é Nasrudin, um mulá (palavra que significa “mestre” em árabe). Nasrudin é um herói (ou talvez um anti-herói no melhor estilo de Pedro Malasartes) que parecendo ingênuo, mas usa de sua esperteza em suas narrativas anedóticas.

 

Pois bem, contam que certa manhã, Nasrudin se sentou na beira de um lago, com os pés dentro dele e misturava iogurte às suas águas.

Um amigo que passava por ali, ao ver aquilo foi logo perguntando:

_ Nasrudin, o que você está fazendo?

_ Ora – respondeu o mulá – todos sabem que uma porção de iogurte, ao ser misturada no leite, pode fermentá-lo até que este se torne somente iogurte.

_ Sim – disse o amigo – mas o que isso tem a ver?

_ Então, estou misturando iogurte ao lago para que ele se torne um lago de iogurte para todos nós.

_ Mas Nasrudin… isso é impossível?

_ Eu sei! – riu o mulá – Mas já pensou se fosse possível?

E misturou mais um pouco de iogurte nas águas do lago.

 

Já pensou se fosse possível?

Ainda que a ideia de Nasrudin seja absurda, ele seguiu adiante acreditando que poderia fazer algo diferente daqueles que nunca tentaram.

Aí está o “X” da questão: muitas vezes nem tentamos levar adiante uma ideia e a deixamos morrer. Tentar é melhor do que ficar preso na inanição do descontentamento de fazer sempre a mesma coisa.

Acredito que assim como eu, vocês já viram uma ideia que tiveram e não levaram adiante tomar forma em algo parecido lançado por outra pessoa. E com certeza, nesta hora, bate aquele arrependimento e pensamos “ah se eu tivesse tentado colocar em prática”.

Ouço muitas pessoas dizerem que não são criativas, que nunca tiveram criatividade como se isso fosse um dom divino que pertencesse a poucos iniciados ou agraciados por forças superiores.

A verdade é que todos somos criativos e o que precisamos fazer é colocar em prática tais ideias para que elas cresçam, se aprimorem e ganhem o mundo. Esperamos fazer o excelente e não fazemos nem o que é bom. Ficamos encubando ideias que nunca florescem pois estão dentro de estufas de vidro de nossa mente, impedidas de crescer, florescer e frutificar.

Na atualidade, em nosso mundo hiperconectado, ideias navegam pelos mares da rede, transformando-se de um momento para o outro e se quisermos acompanhar mudanças, ter novas ideias, criar, precisamos buscar em nossas habilidades esta capacidade que insistimos em não acreditar.

O tempo é o agora, o hoje… ou talvez já estejamos atrasados e nem percebemos que o nosso timing é dado por nós mesmos.

Então, como Nasrudin, não percamos tempo. É hora de escolher o nosso lago, com nosso potinho de iogurte e, misturando na água, termos a certeza de uma coisa: se não tentarmos, não saberemos se é possível fazer.

E aí? Já pensou? E se for possível?

 

Prof. Dr. Robson Santos

Coach e Terapeuta

6 comentários em “E se for possível?

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