Sobre Educação I

Conta uma história que certa vez dois homens banhavam-se em um rio quando começaram a ouvir gritos. Olharam para trás e lá estava uma criança se afogando. Rapidamente foram socorrê-la.

Nem bem tinha tirado a criança da água, ouviram novos gritos. Ao olharem, viram desta vez, duas crianças se afogando. Correram para socorrê-las e nem bem tinham chegado à margem, ouviram novos gritos. Desta vez eram três crianças.

Um dos homens, ao invés de correr para o socorro das crianças, começou a caminhar para fora do rio. O outro, irritado, chamou sua atenção: “Ei, você tem que me ajudar a salvar estas crianças! Não pode me deixar sozinho.” O outro, pacientemente, virou-se e respondeu: “Ao invés de apenas salvarmos estas crianças, precisamos ver de onde elas estão vindo e quem as está atirando no rio.”

Acredito que este seja o trabalho daqueles que se debruçam pelo ideal de educação.

Mais do que simplesmente nos preocuparmos com questões momentâneas que impedem o aprendizado aqueles que chegam às nossas mãos, devemos buscar a fonte de suas dificuldades e atuar diretamente nessa questão.

Ao optarmos por buscar essa fonte, deveremos ter a certeza que estaremos trilhando um caminho diferente e que com certeza nos transformará no final da jornada. Ninguém que busca transformar seres humanos consegue fazê-lo sem se transformar também. Em nossa vida atuamos como uma estação de trem. Pessoas vêm e vão e neste movimento, trazem novos saberes e sentires e os levam também. Todos nos modificamos na relação com o ser.

Existem porém aqueles que optam por não atuarem desta forma. Optam por continuarem sendo apenas simples professores, grau outorgado pelos seus diplomas. Estes que não quiseram atravessar a ponte ou sair do rio para ver o que estava acontecendo, não se tornarão educadores.

Ser educador implica em mudar de postura e ao fazermos isso… a contra-indicação (que não vem na bula) é que nunca mais seremos simples professores. É o preço a pagar. O que recebemos em troca? A felicidade de ver o outro se desenvolver e saber que em partes fomos responsáveis. Saber que a semente que plantamos pode germinar e dar árvores frondosas e frutos doces e perfumados. Saber que o amor que usamos para adubar gerou bons resultados.

Alias não conheço outro caminho e se existe, não quero conhecê-lo pois ao longo desses anos aprendi cada dia mais que o único caminho bom é aquele que segue a voz do coração. Erramos? Com certeza! Mas erramos com amor e mais importante com a vontade ferrenha de acertar.

Desejo que o amor permeie sua vida com seus alunos e que no futuro, ao olharem para trás, lembrem-se de quantas árvores foram plantadas nesses anos e mais ainda, quão doces são os frutos de hoje e que você, educadora ajudou a semear um futuro melhor.

E na sala de aula, enquanto ensino, se ouvir alguns gritos, quererei ir ao rio para ver o que está acontecendo.

Robson Santos

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